9 de maio de 2017
Por Palmir
Condições subumanas causam 54 acidentes por dia nos frigoríficos

Diante de um relato sobre a situação em frigoríficos no Brasil, tem-se um quadro alarmante: são mais de 1.600 acidentes por mês, quase 20 mil por ano.

Os frigoríficos mantém um dos índices mais altos de acidentes de trabalho no país.  Para se ter uma ideia do tamanho do estrago sofrido pelos trabalhadores, se em uma empresa normal, ocorre 7 acidentes diários, em frigoríficos essa conta vai para 54, ou seja, 772% maior.

Há 4 anos atrás a ONG Repórter Brasil lançou um trabalho de pesquisa em frigoríficos onde relatava as condições sub-humanas a que os trabalhadores em frigoríficos estão submetidos.

Em levantamentos mais recentes observa-se que a situação não só não melhorou como está cada vez pior. A atividade dos frigoríficos é insalubre, a maioria dos trabalhadores exerce suas atividades em locais engordurados, escorregadios, em temperaturas que chegam a ultrapassar 50 graus negativos, ou com produtos corrosivos etc.

Os relatos de acidentes são diários, chegando a ter, em uma única empresa vários trabalhadores acidentados, porém a maioria deles são ocultados pelas empresas.

Um documentário intitulado “Ossos do Ofício”, apresenta vários depoimentos de trabalhadores que perderam dedo, braço e/ou ficaram praticamente inválidos devido às Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou os Distúrbios Osteomuscular relacionados ao Trabalho (DORT), como o caso do funcionário Willian Roberval Garcia da Silva. Ele juntava patas, cabeças e gordura de gado em um frigorífico de Coxim, cidade de 33 mil habitantes, localizada a 258 km de Campo Grande-MS. Os restos bovinos eram jogados em um moedor. As sobras seriam torradas para produzir óleo vegetal e dois tipos de farinha: a de osso e a de sangue. A primeira é usada como componente de adubo, enquanto a segunda serve para reforçar a ração destinada a animais. Mas uma tarde de janeiro de 2015 foi a última vez que Willian, à época com 24 anos, abasteceu a máquina. As hélices dilaceraram parte do braço esquerdo do rapaz.

A maior empresa de frigoríficos do país, a JBS/Friboi, bem como a Brasil Foods BFR e Marfrig, juntas, somam mais de 350 mil trabalhadores e, nessas empresas a incidência de acidentes é ainda maior. No entanto, a maior parte dos acidentes é ocultada com manobras, principalmente a de não fornecer o Comunicado de Acidentes de Trabalho (CAT).

Uma das várias ocorrências nestes frigoríficos foi a de um funcionário do período noturno, do setor de higienização; um jovem trabalhador foi atingido nos olhos por produtos altamente corrosivos, no entanto o funcionário sequer teve o período de recuperação, pois a direção da Braslo, do grupo JBS/Friboi, fez questão buscá-lo para que, desta forma, não fosse computado como afastamento por acidente de trabalho.Porém o operário até hoje não se recuperou e muito provavelmente ficará com sequelas pelo resto de sua vida.

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