8 de novembro de 2017
Por Palmir
Milhões em lucros e milhares de acidentes em frigoríficos

Nos frigoríficos do País, quando do lançado o balancete trimestral, só se veem números como milhões, bilhões, números sequer imaginados pelos trabalhadores, tamanho o volume de dinheiro, o resultado do seu esforço de trabalho diário, tudo isso para uns poucos parasitas.
Uma quantidade enorme de trabalhadores tem suas condições de vida útil reduzida, às vezes em dois, três e até cinco anos, no máximo, porque, depois desse período os operários não mais conseguem exercer qualquer função dentro de uma fábrica.
Nesses frigoríficos, no entanto, as condições de trabalho são das piores possíveis e imagináveis, os equipamentos de proteção e segurança inexistentes, os trabalhadores são obrigados a manipular durante todo o dia pesos muito acima de suas condições físicas ou repetir movimentos dezoito vezes por segundo, para desossar uma coxa de frango, ou a cada um minuto e trinta segundos sete coxas, ou seja, setecentos e vinte movimentos com as mãos e punhos, duzentos e oitenta coxas de frango, o que, no final do dia resulta em duas mil, duzentos e quarenta coxas desossadas, um numero inimaginável de quase seis mil movimentos durantes o dia, isso quando esses operários não são obrigados a ficarem após as oito horas estipuladas por lei.
A exploração é tanta que sequer é observado o horário de descanso, na sua quase totalidade dos frigoríficos, ou seja, após uma hora e quarenta minutos, o trabalhador tem vinte minutos de descanso.
O índice de operários lesionados, em virtude de acidentes, Lesões por esforços Repetitivos (LER) e/ou doenças ocupacionais, Doenças Osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT) é tão elevado que: de acordo com o Ministério da Previdência Social (MPAS), um funcionário de um frigorífico de bovinos tem três vezes mais chances de sofrer um traumatismo de cabeça ou de abdômen do que o empregado de qualquer outro segmento econômico. Já o risco de uma pessoa de uma linha de desossa de frango desenvolver uma tendinite, por exemplo, é 743% superior ao de que qualquer outro trabalhador. E os problemas não são apenas físicos. O índice de depressão entre os funcionários de frigoríficos de aves é três vezes maior que o da média de toda a população economicamente ativa do Brasil.
Para os patrões não há limites à exploração dos trabalhadores, tanto é assim que, apesar de estarmos em pleno século XXI, é como se os trabalhadores fossem os escravos do período colonial.

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